19 dezembro 2012

Capitulo II

Continuação do Capitulo I

-Ei amiga. O que está fazendo? Estamos todas esperando você.- Pergunta Cláudia preocupada com a amiga que ainda não tinha decido para almoçar.
- Estou cansada, só isso. - Mas ela sabe que sua amiga a conhece o suficiente para perceber que está mentindo.
- Você ainda esta chateada com o que aconteceu, não é? - Cláudia segura em sua mão e completa - não se preocupe, isso vai passar.
Iara assente com a cabeça, mas não sente vontade de se levantar da cama. As imagens ainda insistem em passar pela sua mente. Ainda é doloroso demais. Suas amigas sabem disso. E é só por isso que aceitaram essa inusitada viagem. Porque é nessa hora que queremos sumir, ser esquecida da mente das pessoas, porém mais do que qualquer outra coisa, nessa hora o que mais queremos é estar com pessoas que nos compreende mais do que nós mesmos. "Queria não me sentir assim, queria ter uma pedra no lugar de um coração. Porque não consigo esquecer dele?" Mas as outras interrompem seus pensamentos, chegam ao quarto correndo e gritando.

-O que ela esta fazendo ai ainda? Estou morta de fome!! 
-Cláudia, você disse que desceria com ela em dois minutos, e já se passou uma vida.
Fernanda se deixa cair na cama ao lado de Iara -Você está com uma cara horrível. Tem que esquecer isso, dar a volta por cima e se permitir ser feliz novamente.
-Parece tão fácil quando você diz. Mas na verdade - Iara senta na cama e continua- não é!
-Eu sei que não é. Mas sou sua amiga e tenho que lhe fazer sonhar. Portanto, levante já dessa cama e vamos comer. Amanhã já temos que ir embora. E não aproveitamos quase nada. Quer dizer, você não aproveitou.
Amanda abraça a amiga por um breve período e se senta do outro lado -ei gata. Não faça isso por nós, faça por você. Todas enfrentamos problemas diariamente. Mas é isso que faz a vida divertida. 
-Sim! -completa Gaby - A vida é feita para ser vivida. E ela não vem somente com alegrias. Em algum momento temos que amadurecer. E esse momento que você esta passando é só pra lhe fortalecer. 
-E o mais legal é que você não está sozinha. Tem a nós. As suas luluzinhas. Estaremos sempre com você.
Nesse momento Cláudia se levanta como um salto e diz: -se não morrermos de fome antes.

E todas se abraçam. Rindo. Divertidas. Fortes. Maduras. Aprendizes da vida. Companheiras e confidentes.
Descem as escadas correndo de mãos dadas, uma puxando a outra. Em outras palavras, uma suportando as dores da outra.

Mas a vida é assim mesmo, não é? Todos tem seus momentos de desespero, de angustia. Momentos de duvidas e de total solidão. Momentos de confusão. De estresse e de chatisse. Mas o que transforma esses momentos tristes em momentos alegres é o maior tesouro que um homem pode conquistar pra si. Isso mesmo. São os amigos. Não precisam ser muitos, contanto que sejam de qualidade. Não precisam estar perto, contanto que estejam presentes. Amigos. Um diamante lapidado. Uma flor regada dia-após-dia, sem pressa, sem grandes espectativas, com cuidado, apenas preservada e amada.

Logo depois do almoço preferem ir para o outro lado da ilha para tirar mais fotos, para se divertirem. Para esquecer da rotina que as espera em casa. Sobem no barco. Uma após outra. E seguem encantadas pela beleza desse mar. E mais conversas. E risos. E comentários. E gritos medrosos com o balançar do barco. E a alegria de saber que uma possui a outra. A alegria de saber que nunca estarão sozinhas. De poder desfrutar desse momento único, com pessoas únicas.
-Você acha que é seguro? -Pergunta um homem ligeiramente tenso que esta ao lado de Gabriela.
-Oi?-Gaby vira-se para ele com curiosidade.
-Você acha que esse barco é seguro? -Todas as outras olham para eles.
-Bom, eu acho que sim.- Responde Gaby.
Nesse momento o barco se balança um pouco devido as ondas.
-Socorro!!-O homem que está ao seu lado grita apavorado e aperta o braço de Gaby com força. Mas imediatamente percebe que todos estão olhando e tenta se recompor -é que tenho um pouco de medo. Não sei nadar. -Fala olhando para ela.
-Ok. Isso é normal. -Responde Gay, tentando não rir.
- Ok então.
- Agora que já esta mais calmo. Pode soltar o meu braço? -Anuncia Gaby olhando para ele- Tá doendo.
Ele automaticamente larga o seu braço. Se sente envergonhado. As demais amigas se olham e no mesmo instante começam a rir. 
E o pequeno passeio segue assim. Algumas oscilações das ondas no barco. E novamente mais alguns gritos desse homemquetempânico de água. E muitas, muitas risadas. Conhecem outros lugares. Tiram fotos. Tomam mais banho de mar. Brincam. Fazem gracinhas. Experimentam roupas. Desfilam. Correm. Pulam de felicidade e cantam com microfones improvisados com a mão. São observadas pelas pessoas que passam por elas. Mas não se importam com isso. Elas são assim. E sempre serão assim.



-Arrumaram as bolsas? -Pergunta a mais pontual de todas: Fabiana.
-Bom, eu já arrumei a minha. -Responde Amanda- amanhã não vou precisar me preocupar com isso. -E continua comendo sua pipoca juntamente com as demais.
Fabiana olha para Cláudia com provocação -E você senhorita atrasada?
-Sim, sim querida. -sorrir e continua -está tudo arrumado.
Fabiana sabe que não esta tudo arrumado. Mas prefere não alongar mais esse assunto.
-Então o que faremos hoje? -Iara pergunta com boca cheia.
-Primeiro, não fale de boca cheia. -Gaby olha para Iara. -E segundo, estou cansada demais. Vamos ficar no quarto por hoje assistindo o filme que eu trouxe? -fala choramingando.
As outras concordam.
-Qual filme que você trouxe?
-Já não sabe? Ela só trás o único que gosta. Aquele que nos faz chorar sempre que assistimos.
-Não acredito!
-Sim. Não tem nem como esquecer uma só cena. Sei de todas. Porque toda vez que nos reunimos para ver filme ela sempre indica o mesmo.
E todas menos Gaby falam em coro: -Um amor pra recordar!
-Como vocês são insensíveis. O filme é lindo. E não é sempre que assistimos ele. Faz mais ou menos um mês. -fala Gaby se justificando. -E qual de vocês se preocupou em trazer algum filme?
As amigas se olham e já sabem que nem vale a pena questionar. Terão que assistir Um Amor Pra Recordar pela milésima vez.

Antes mesmo que o filme chegasse aos primeiros 34 minutos, todas já estavam dormindo. Cansadas de um final de semana divertido e corrido. Com poucas noites de sono. E assim dormem. Tranquilas. Felizes. Renovadas para continuarem com suas rotinas. De trabalho e estudo. De pais e irmãos. É isso. A realidade não para só porque você decidiu se ausentar dela por alguns dias. Os compromissos permanecem lá e os problemas também.

Continua...









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